Se por estarmos em Cristo nós temos alguma motivação, alguma exortação de amor, alguma comunhão no Espírito, alguma profunda afeição e compaixão, completem a minha alegria, tendo o mesmo modo de pensar, o mesmo amor, um só espírito e uma só atitude. Nada façam por ambição egoísta ou por vaidade, mas humildemente considerem os outros superiores a vocês mesmos. Cada um cuide, não somente dos seus interesses, mas também dos interesses dos outros. (Filipenses 2:1-4)

domingo, maio 18, 2014

A Graça no Velho Testamento

E disse ele: Senhor DEUS, como saberei que hei de herdá-la? E disse-lhe: Toma-me uma bezerra de três anos, e uma cabra de três anos, e um carneiro de três anos, uma rola e um pombinho. E trouxe-lhe todos estes, e partiu-os pelo meio, e pôs cada parte deles em frente da outra; mas as aves não partiu. E as aves desciam sobre os cadáveres; Abrão, porém, as enxotava. E pondo-se o sol, um profundo sono caiu sobre Abrão; e eis que grande espanto e grande escuridão caiu sobre ele. Então disse a Abrão: Saibas, de certo, que peregrina será a tua descendência em terra alheia, e será reduzida à escravidão, e será afligida por quatrocentos anos, mas também eu julgarei a nação, à qual ela tem de servir, e depois sairá com grande riqueza. E tu irás a teus pais em paz; em boa velhice serás sepultado. E a quarta geração tornará para cá; porque a medida da injustiça dos amorreus não está ainda cheia. E sucedeu que, posto o sol, houve escuridão, e eis um forno de fumaça, e uma tocha de fogo, que passou por aquelas metades. Naquele mesmo dia fez o Senhor uma aliança com Abrão, dizendo: « tua descendência tenho dado esta terra, desde o rio do Egito até ao grande rio Eufrates; E o queneu, e o quenezeu, e o cadmoneu, e o heteu, e o perizeu, e os refains, e o amorreu, e o cananeu, e o girgaseu, e o jebuseu. (Gn 15:8-21)


A graça de Deus foi tremendamente manifestada quando somente Ele passou no meio dos animais desmembrados. De acordo com os costumes, ambas as partes teriam que passar no meio dos animais desmembrados e então teriam uma responsabilidade igual em guardar a aliança. O fato de que Deus incapacitou Abraão, a fim de que somente Ele pudesse passar pelos animais, é significativo. Ele estava demonstrando que a Sua aliança seria incondicional. As promessas da aliança feitas a Abraão não dependeriam de sua fidelidade, mas somente de Deus. No futuro, Israel saberia que as promessas  que havia recebido estavam baseadas na graça imerecida de Deus. Não era pela santidade ou honestidade de Abraão, mas pela fidelidade de Deus em manter Sua promessa. Isto por acaso não ilustra a nossa própria segurança na salvação? Deus se responsabilizou por toda nossa redenção. Nossa esperança não esta baseada em nossa bondade, mas na promessa incondicional de Deus [II Timóteo 1:9; Romanos 8:33-39]. O efeito é engrandecido quando nós consideramos que os animais sacrificados foram todos usados nas ofertas Levíticas durante o regime da lei, e assim eram símbolos de Cristo. Eles representavam o que aconteceria com aqueles que quebrassem a aliança. Todos nós somos transgressores da lei e da aliança, mas Cristo pagou pela culpa dos nossos pecados [Romanos 8:3, 5:8]. Através da Sua morte, Deus poderia conceder uma salvação inteiramente pela graça para o Seu povo [Tito 3:5-7].

Tamar: O primeiro mencionado é Tamar (Mateus 1:3). Lembre-se dela? Tamar entrou na linhagem real do Messias, disfarçando-se como uma prostituta e seduzindo o seu sogro, Judá, para que ele pudesse engravidá-la. Honestamente, Judá mereceu ser enganado, porque ele havia negado justiça a ela, mas foi uma situação muito feia (ver Gênesis 38).
Raabe: O segundo é Raabe (Mateus 1:5). Ela não teve que se disfarçar. Ela havia sido uma prostituta. E uma gentia! Uma cananeia. Não é um pedigree desejado. Ela e sua família foram os únicos sobreviventes de conquista de Israel sobre Jericó porque ela escondeu os espiões judeus e os ajudou a escapar. Uma vez integrados em Israel, ela se casou com Salmon (você não gostaria de saber essa história?) E tornou-se avó do grande rei Davi.
Rute: Rute é o terceiro (Mateus 1:5) e ela também era uma gentia. Uma moabita. Sua ancestralidade teve sua origem no incesto cometido entre Ló e sua filha mais velha. O povo de Rute era pagão politeísta, ocasionalmente oferecendo sacrifícios humanos para deuses como o ídolo Quemós. Através de uma tragédia pessoal e de sua lealdade ela acabou em Belém, nos braços de Boaz. Nós simplesmente não podemos esquecer de mencionar o fato surpreendente de que Ruth tem um livro da Bíblia com o seu nome! Como isso aconteceu? Os judeus eram proibidos de se casar com moabitas (Esdras 9:10-12) - a menos que uma moabita renunciasse tudo o que significava ser um moabita e aceitasse tudo o que significava ser judeu. O fato de que um dos livros canônicos do Antigo Testamento é intitulado com o nome de uma mulher moabita, é muito significativo pois assim Deus está proclamando alguma coisa sobre a sua graça.
Bate-Seba: A quarta mulher mencionada na lista é “a mulher de Urias” (Mateus 1:6). Bate-Seba. Esta mulher sofreu abuso sexual e assassinato de seu marido, nas mãos do maior rei de Israel. E como resultado, ela se tornou uma ancestral de Jesus.
Maria: Maria, a mãe de Jesus, é a quinta (Mateus 1:16). Ela ficou grávida de Jesus antes de seu casamento, e o pai da criança não era seu noivo, José. Este escândalo teria permanecido como uma nuvem nos sussurros e suspeitas de sua família e dos seus companheiros nazarenos por muitos anos.
Destaques da Graça
Todas essas cinco mulheres partilham algo em comum: desgraça. Essas mulheres ou cometeram ou sofreram desgraça. Elas haviam manchado reputações. Elas provavelmente teriam sofrido o desprezo dos outros. E pelo menos as quatro primeiras teriam lutado com memórias muito dolorosas e sórdidas. E aqui está a moral da história. A maioria de nós deseja esconder os fatos e as pessoas mais vergonhosas em nossas famílias. Mas Jesus não. Ele se esforça aqui para chamar a atenção para essas mulheres cujos nomes alardeiam coisas escandalosas. Por quê? Eu acho que para nos lembrar, antes mesmo de Mateus começar a contar a história de seu nascimento, o motivo de sua. Mesmo nas genealogias Deus tece sua graça. Ele gosta de redimir os pecadores. Ele gosta de produzir algo bonito em famílias com passados sórdidos. Ele gosta de fazer estrangeiros seus filhos. Ele gosta de conciliar seus inimigos. Ele gosta de fazer que todas as coisas cooperem para o bem daqueles que o amam e são chamados segundo o seu propósito (Romanos 8:28). Cada uma dessas mulheres são lindas ilustrações da aliança que Deus diria mais tarde a Pedro quando esclarecendo que a sua graça é estendida a todos os povos: “O que Deus purificou, não consideres comum” (Atos 10:15). E essa é a sua palavra para você e para mim. A notícia surpreendentemente boa do Natal é que Jesus veio para fazer notórios pecadores impuros e estrangeiros como nós - pessoas com passados vergonhosos que acreditam em seu nome (João 1:12) - limpos.
Pr. Jon Bloom (Baseado em sermão do pastor batista John Piper, do ministério Desiring God)
Êxodo 7:2-4 diz: “Tu falarás tudo o que eu te mandar; e Arão, teu irmão, falará a Faraó, que deixe ir os filhos de Israel da sua terra. Eu, porém, endurecerei o coração de Faraó e multiplicarei na terra do Egito os meus sinais e as minhas maravilhas. Mas Faraó não vos ouvirá; e eu porei minha mão sobre o Egito, e tirarei os meus exércitos, o meu povo, os filhos de Israel, da terra do Egito, com grandes juízos”. Aparenta ser injusto que Deus endureceu o coração de faraó para então punir o Faraó e o Egito pelas ações que resultaram de um coração endurecido. Por que Deus endureceu o seu coração para então julgar o Egito mais severamente com outras pragas?

Primeiro, é importante lembrar que Faraó não era um homem inocente ou piedoso. Ele foi um ditador brutal responsável por terríveis abusos e pela opressão dos israelitas; até então o número já chegava a mais de 1,5 milhões de pessoas. Os faraós egípcios tinham os israelitas escravizados por 400 anos. O Faraó anterior, e possivelmente o mesmo Faraó em questão, ordenou que os bebês israelitas do sexo masculino fossem mortos ao nascer (Êxodo 1:16). O Faraó cujo coração Deus endureceu era um homem perverso e as pessoas com quem ele governou concordaram, ou pelo menos não disputaram, suas más ações.

Segundo, antes das primeiras pragas, Faraó endureceu seu coração e não libertou os israelitas. “Endureceu-se, porém, o coração de Faraó” (Êxodo 7:13; 7:22; 8:19). “Mas vendo Faraó que havia descanso, endureceu o seu coração, e não os ouviu, como o Senhor tinha dito” (Êxodo 8:15). “Mas endureceu Faraó ainda esta vez o seu coração, e não deixou ir o povo” (Exodus 8:32). Faraó poderia ter poupado o Egito de todas as pragas se ele não tivesse endurecido seu próprio coração. Deus deu a Faraó advertências cada vez mais severas de que julgamento estava por vir. Faraó escolheu trazer juízo sobre si mesmo e sobre o seu povo ao endurecer o seu coração contra os comandos de Deus.

Como resultado do coração duro de Faraó, Deus endureceu seu coração ainda mais, dando entrada às últimas pragas (Êxodo 9:12, 10:20, 10:27). Faraó e Egito haviam trazido estes juízos sobre si próprios por causa de 400 anos de escravidão e massacre. Dado que o salário do pecado é a morte (Romanos 6:23) e que Faraó e todo o Egito tinham pecado horrivelmente contra Deus, ainda teria sido justo se Deus tivesse completamente aniquilado todos do Egito. Portanto, Deus endurecendo o coração de Faraó não foi injusto. Deus trazendo pragas adicionais ao Egito não foi injusto. As pragas, por mais terríveis que fossem, realmente demonstraram misericórdia de Deus em não destruí-los por completo – mesmo assim, isso ainda teria sido uma pena perfeitamente justa.

Romanos 9:17-18 declara: “Pois diz a Escritura a Faraó: Para isto mesmo te levantei: para em ti mostrar o meu poder, e para que seja anunciado o meu nome em toda a terra. Portanto, tem misericórdia de quem quer, e a quem quer endurece.” De uma perspectiva humana, aparenta ser errado que Deus endureceu o coração de uma pessoa para então puni-la. Biblicamente falando, no entanto, todos nós pecamos contra Deus (Romanos 3:23), e a penalidade justa por esse pecado é a morte (Romanos 6:23). Portanto, o fato de que Deus escolheu endurecer e punir uma pessoa não é injusto, já que isso na verdade é um ato de misericórdia quando comparado com o que a pessoa realmente merece.

Fonte. 

segunda-feira, maio 12, 2014

Se você perguntasse para minha esposa, ela lhe diria que eu sempre tenho cinco ou dez projetos diferentes em andamento. Eu tenho uma capacidade de concentração curta, então eu faço melhor e realizo mais quando posso trabalhar em algo por algumas horas e, então, concentro minha mente em uma tarefa completamente diferente. Concentrar em algo novo normalmente é tão bom quanto fazer uma pausa!
Ultimamente, muitas das minhas tarefas e projetos têm convergido para a Bíblia e, mais precisamente, a natureza da Palavra de Deus. Eu tenho pensado sobre a completa alteridade da Bíblia, o fato de ela ser tão diferente de qualquer outro livro. Então, parei para pensar: e se eu tivesse escrito minha própria bíblia? Como ela seria diferente? Como uma pessoa simples e pecadora como eu lidaria com a tarefa de escrever um padrão de fé e prática que devesse transcender todos os tempos, contextos e culturas?
Se eu escrevesse a Bíblia…
…haveria mais regrasMuito mais. Naqueles momentos em que quero fazer as coisas do meu jeito, ou quando eu sei a coisa certa a fazer, naturalmente gravito em torno das regras. Como não há jeito mais fácil de fazer as pessoas obedecerem minha vontade que dar-lhes regras, minha bíblia certamente seria dominada por uma lista de regras para governar simplesmente toda circunstância possível. Eu imagino que isso a transformaria em um livro muito maior, mas seria o preço a pagar.
haveria muito menos graça. Haveria muito menos espaço para liberdade. Onde Deus nos dá muita abertura para nossas preferências pessoais, eu elevaria minhas preferências e negaria a diversidade em favor de uma uniformidade clara. Eu veria menos beleza na diversidade e muito mais beleza na conformidade.
…haveria um pouco menos de gêneros literários. Algo que continuo a achar surpreendente na Bíblia é como ela sempre muda de estilos, indo de histórias para profecias, passando por poesia, apocalipse e epístolas. Seria improvável que eu considerasse algo como a poesia de Cantares de Salomão ou o apelo pessoal de Filemon. Novamente, minha bíblia seria dominada pelo novo gênero “Lista de Regras”.
…haveria muito mais explicação. Uma coisa que as pessoas consideram desconcertante quando leem a Bíblia são aquelas áreas em que Deus escolhe não explicar-se. Como ele pôde sancionar massacres de cidades inteiras? Como ele pôde permitir que Satanás fizesse o que fez com Jó? Como ele pôde permitir que a serpente entrasse no jardim muitos anos atrás? E como responsabilidade humana e soberania divina funcionam juntas? Por causa da minha reputaçãoo, e temendo a frustração ou mesmo a zombaria do leitor, eu acharia necessário dar essas respostas.
….haveria muito menos coisas desconfortáveis. Se eu escrevesse uma bíblia, acho que deixaria de fora um monte de coisas que Deus achou apropriado incluir. Definitivamente, eu deixaria de fora aquela história brutalmente trágica de Juízes 19, onde uma mulher é estuprada e desmembrada. Provavelmente, eu deixaria de fora a parte sobre Davi deixando uma pilha de prepúcios filisteus aos pés de Saul. Preocupando-me com minha reputação e por temor do homem, eu higienizaria minha bíblia.
….haveria uma imensa seção de Perguntas Frequentes (FAQ). Sabe aquela parte no final das Bíblias de estudo com todos os artigos e ensaios? Eu precisaria ter pelo menos um espaço desse tamanho para uma seção de Perguntas Frequentes porque sentiria necessidade de fornecer uma resposta clara para cada questão que as pessoas disputassem. Os dons miraculosos continuam ou cessaram? Com certeza, eu responderia isso. No que deveríamos crer sobre os tempos e as circunstâncias do retorno de Cristo? Eu responderia isso. Devemos batizar crianças ou crentes? Sim, essa também.
…o cânon não seria fechado. Se eu escrevesse uma bíblia, seria um trabalho em progresso. Eu nunca fecharia o cânon e o consideraria completo e perfeito porque estou sempre aprendendo, crescendo e mudando de ideia.  O que eu considerasse bonito em um estágio da vida, consideraria ridículo no próximo. Seja qual for a bíblia que escrevesse, eu precisaria mantê-la em aberto para que pudesse adaptá-la sempre que desejasse.
Eu suponho que poderia continuar nisso o dia todo. Eu não irei. Examinar a Bíblia que Deus nos deu e considerar como eu escreveria a minha deixa algo claro: nenhum humano jamais escreveria a Bíblia. Não essa Bíblia. O Livro de Mórmon ou o Corão – estes eu poderia escrever e entendo completamente como e por que um humano os escreveu. Mas a Bíblia? De jeito nenhum.
Enquanto todas as outras escrituras são auto-refutáveis, a Bíblia é auto-autenticável. Enquanto essas falsas bíblias são tão humanas, a Palavra de Deus é tão divina, tão diferente. E se nenhum homem poderia escrevê-la, a única explicação racional é que ela deve ter sido escrita por Deus.

Fonte: Reforma 21